sexta-feira, 16 de outubro de 2009


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

estúdio de letras 2

Exercício 3 . Segunda parte (terceira pessoa)

Título: Invasores

O menino desceu da perua e jogou longe a mochila e a lancheira da escola. Enquanto sua mãe reclamava do desleixo e recolhia tudo, ele reparava nas enormes fissuras da calçada, abertas pelas raízes da Chapéu-de-sol centenária. Um cheiro gostoso de almoço, vinha das casas da rua. Era daquelas rachaduras no chão que saiam os sapos durante a noite, soltando poeira úmida e luminosa que grudava na garganta e adoçava a respiração. Eles invadiam a casa pelo portão e desciam molengas, desajeitados e barulhentos, o corredor medieval, para fazer explorações no jardim dos fundos, aonde a montanha de tumbérgias não parava de crescer, pressionada pelo novo mundo que se desenvolvia dentro dela.
O menino entrou, respirando fundo o arredor da casa. Na varanda, um pé descalçou o outro. Já havia uma pilha de sapatos lá. Dentro de casa, o pé quente e suado fazia manchas de vapor na lajota fria do chão. Se atirou no sofá...

(...)

estúdio de letras

Exercício 3 . Primeira parte (primeira pessoa)

Título: Capilares

Quase não vejo as pessoas da minha rua. O que vejo é algum pedreiro encostado na caçamba, alguém cruzando o bairro...(?) mas vejo muitos carros grandes e brilhantes saindo de paredes que se abrem-fecham sozinhas. Vejo um rosto vizinho quando alguém espia, ou se espio alguém, mas é como um "piscar de faces", na maioria das vezes constrangedor.
Alguns moradores da rua de baixo costumam passear com seus cachorros e, às vezes passam pelo meu portão e dizem "bom-dia", mas só se comunicam através de seus animais. Já na minha rua, os cães, brilhantes como carros e perfeitos como propagandas, ficam guardados em jardins particulares e educados.
O que conheço muito bem da rua Paumari são as plantas que crescem, desafiadoras, nas rachaduras da calçada. As de minha calçada, cultivo como filhas legítimas. Estou cobrindo minha entrada de verde - "imaginando-plantando-esperando"-, para ser engolida e deglutida pelo frescor vegetal cada vez que descer pelo corredorzinho lateral.
Às vezes, penetro na terra atráves de filamentos verdes e líquidos, e bebo um pouco da lama que alimenta as raízes de minha casa, em busca de algum tipo de revelação, em busca de meus avós mortos, ou tentando descobrir aonde foram parar os vaga-lumes que moravam ali quando eu era menina.
Eu e meus amigos, já que não podemos pegar nuvens e tranformar em rendas, vamos desenhar rendas, como se fossem nuvens, no muro do meu jardim, e para tal ritual, quero um vestido rendado que caia bem em mim. Como alguém que inventa rendas, tenho inventado um amor - "imaginando-plantando-esperando"-, e já que alguém faz plantas de prédio com pé direito esmagador, tenho plantado bastante pé de flor.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

dedos

Hoje, no metrô, vi uma mulher com oito dedos em cada pé.
Todos com unhas pintadinhas de vermelho, conversavam uns com os outros animadamente.
Notaram que eu olhava.
-O que foi? Nunca viu? Nunca viu? He he he
mamãe, anjos ouvem o pensamento do meu pensamento?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

contando um sonho...

Durante a noite saí do lugar.
Sonhei que morava em um sítio.
Bem em frente à porta dos fundos da casa principal, nova e misteriosa, havia uma grande sala ao ar livre, definida apenas pelas suas arestas e vértices, feitos de madeira.
Essa estrutura era forrada por trepadeiras muito floridas cujas pétalas e folhas não eram vegetais, mas sim pequenos peixes secos que falavam ao mesmo tempo, sem parar, formando uma sinfonia sussurrada, propagada pela brisa. As escamas dos peixinhos brilhavam intensamente, prateadas e furta-cores, refletindo a luz do sol.
Minhas amigas estavam lá. Uma borboleteava alegremente, inspirada pelas flores e pela luminosidade fantástica. Parecia em transe. A outra pedia que eu olhasse qualquer coisa em suas costas e levantava a blusa. Sua pele era manchada e dois ossos saltavam, quase expostos, formando uma espécie de ponte sobre a coluna vertebral. Deduzi que ela era uma criatura de dupla natureza.
Havia também peixinhos pendurados nas paredes externas da casa, e isso me incomodava, porque não tinham sido pendurados por mim, e sim, por uma pessoa estranha que morou lá anteriormente.
Enquanto isso, um peixe grande que costumava me dar conselhos, agonizava em um aquário dentro da casa.
Eu não tinha certeza se ele agonizava ou adormecia, mas sabia que se fosse agonia, eu poderia salvá-lo. Mesmo assim, tinha a sensação de que não me importaria mais se ele morresse. (estranho)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O abandono de Star Wars

Hoje, no metrô, vi "Jabba the Hutt" na sua versão humanóide. Estava no lugar certo: as profundezas. Provavelmente a criatura procurava novas vítimas. Não é à toa que pessoas desaparecem misteriosamente no metrô.
Seu lábio inferior, rugoso e flácido, se confundia com o queixo. Seus olhos, vermelhos e inchados, babavam, deglutiam visualmente qualquer "voluta" humana. Percebi que era canibal.
Quando olhou para mim, rezei, e olhei a escuridão que passava rápido pela janela. Sem saída, infernal. Ali era o seu habitat.
A criatura se levantou. Ia descer. Finalmente paramos, a porta abriu... desceu.

Essa fantástica e reveladora aparição aconteceu bem no momento que eu me lembrava do chão, desaparecendo sob meus pés, ao ouvir ele dizer:
- Não gosto mais de Star Wars. Superei essas coisas...
(Essas coisas???)
Foi nesse momento que tudo acabou entre nós. Tudo!


(Ah... também ele, não é, nem poderia ser um cavaleiro Jedi.)

sábado, 26 de setembro de 2009

Durante a noite as plantas filosofam. Observam além do espaço e pensam... exalando cheiros doces.
Durante o dia elas comem luz. E crescem, crescem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sua visão de "não sair do lugar" estava ao pé da letra.







Que saudade de "Alucarda"...

e "Suspíria", "Sete faces do Dr. Lao", os filmes do Mario Bava, os outros tantos com Peter Cushing!

(desespero)

Acho que só Leopoldo poderá me salvar...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

areia

Enquanto as moedas dançavam docemente, eu o vi. Nós gostávamos de tomar vinho e logo depois beijar na boca.
Transformo meu habitat sozinha. Sonhando, transformando, sonhando, transformando... Meu sono segue com as dunas. Aquelas que ajudam os homens a contruírem suas casas nas copas dos cajueiros.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

?

Outro dia vinha descendo pela praça, olhando para o alto. Olhando aquela árvore com flores brancas, da qual preciso desesperadamente descobrir o nome, aspirando o cheiro do Eucalipto feito uma louca aspiradora, quando tropecei e quase caí de boca... porque não olho mais para o chão, só se for para algum inseto ou musgo. Fico só nas copas, nas trepadeiras, nas flores.
Vim contando as Aranhas (lindas) que tecem suas casas nos vãos entre as folhas dos Lírios amarelos. Vigorosos, sem preguiça de florescer, eles encerram a praça bem ao lado daquele Hibisco rarefeito. Coitado. Alguém precisa podar!
Já no meu jardim, os Agapantos florescerão pela primeira vez. Estão nervosinhos atrás das cortinas.
Estou virando uma obcecada, muito além do normal!

bichos e nadas

Hoje vi um homem-pássaro na plataforma do metrô. Pousado, asas recolhidas sob a camisa e penachinhos escapando pela trama rota. Logo me senti atraída, ja que os pássaros e os répteis possuem ancestrais em comum. Seu incrível nariz de tucano me chamou a atenção. E os dois pequenos furos ósseos por onde entrava arzinho pouco, para alimentar sua existência alada. Era frágil.
Os olhos de gralha, pretos, pequenos, bem redondos, levavam um susto a cada passante. A agitação de seu espírito fazia pequenas penas se soltarem, e pousarem levemente sobre trilhos.
Pensei que se o mundo acabasse, me grudaria às suas costas e escaparíamos pelo céu.
No metrô, sentou bem à minha frente. De perfil. Seu bico quase bicava a janela do outro lado. Quase bicava as nádegas apertadas pelo jeans, da moça mau humorada. Também... assim tão apertada! Ele desceu na "Trianon-Masp". Certamente ia voar pelo parque.
Sentou-se em seu lugar uma mulher-nada. Seu rosto não dizia nada, sua roupa... nada, seus pés... nada. Seu nariz era apenas um nariz.
Nadando assim, nesse nada absoluto, mansamente, virei nada. Porque ali, naquele dia, naquela hora, eu não queria ser nenhum bicho.

sábado, 12 de setembro de 2009


terça-feira, 8 de setembro de 2009

tudo isso sobre separação... e resolvi postar de novo.

uma de suas primeiras versões. imaginária.


marjorie e o celacanto 2

desencanto.
marjorie engolia o sorriso luminoso: ela apagou-se.
o celacanto...
o peixe saia pela janela com cara de fotografia e ares de zepelim.
o rabo preto desfiado.
que mistério esse do orvalho e das folhas!
o clima naquela manhã era de morte. tirou a saia.
já não podia mais. fechou a cortina vermelha e pediu uma bebidinha doce para o garçom.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a chuva

Não sei se chovia no mundo, ou no seu olhar.

Não sei se o mundo estava contido em seus olhos,
se seu olhar me tornou chuva,
ou se a chuva me tornou você.

Acho que foi tudo.

Sei que eu era areia sob seu pés.

o homem

Hoje sonhei com ele.
Ele, que existe tão materialmente dentro de mim.
Atormentado, lindo, envelhecido, decadente, infinito, forte, oceânico, feroz, imortal, odioso.
Talvez ele nem exista de verdade...

O cheiro da terra é purificador.
Homem de terra e líquidos. Seus olhos me absorvem, me desfazem, me matam.
Deito sobre seu corpo e te devoro aos poucos.
Pelos, pele, músculos, pedaços, pensamentos, sentimentos.
Hoje no metrô, ouvi um espirro assim:

A A I I I T C H H S S S I I I I Ã Ã Ã Ã Ã Ã A A A A A H H H H H H H H H H H H H H H R G!
Eu acredito na inspiração como uma idéia, uma informação selecionada entre tantas outras, que nos invade, é transformada por nós, e depois externada novamente, ou não. (...) Um soco, um desenho, uma fala, um pensamento, trabalho... (Pensamento é como luz, vento, só que feito de outra "matéria")
Pode ser provocada por uma pequena folha que chega com o vento e pousa nos cílios, a composição de uma flor, de um corpo, um cheiro, uma lembrança, um texto... qualquer coisa.
Acredito na inspiração como um efeito transformador mental e espiritual.
Quando digo espiritual, estou falando de alguma coisa que não é mente nem corpo, mas que me define antes dos outros dois, porque reconhece o que me inspira, antes que seja (...)
Poderia chamar isso de intuição(?): é rápido e (...)
Ah! Substituiria a palavra "dom" por "talento", e nunca mais a utilizaria. A experiência potencializa o talento. Talento no sentido de habilidade.

(escrevendo)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

particular

Contei até cinco, respirei fundo e pulei.
Naquela festa, todos tinham cara de algas marinhas.
Fiquei com aquela preocupação sobre o hífen...

"A regra do hífen é livre!". Alguém gritou lá de dentro do abismo.

Fiquei aliviada.

Só gosto de vinho. Tinto.
As mulheres com boca de peixe serviam vinho, boca a boca...
Cuspiram dentro de mim.

Nunca mais veria a superfície. Humilhante, abafada...




Ela estava no buraco negro, acolhedor.
Onde as criaturas emitem luz.

E usava meu vestido favorito.
Sobre mim.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

assunto filosófico

...falamos também sobre a "preparação das almas".
Esse mundo é surdo. Intoxicado com ele mesmo.
A barriga do mundo engoliu seu rosto.
Me preparo para migrar. Mesmo que seja tudo imaginação.
Tenho sempre visões e sensações nas quais estou em outro lugar.
Gosto das cenas panorâmicas de cinema, quando um ponto se afasta na vastidão da natureza, e some por entre as árvores.
Ou closes que mais parecem pinturas distantes e tristes como se chovesse no olhar. O clímax nublado pela revelação.

?

A revelação, mesmo sendo uma revelação, não é nítida, não esclarece nada. Só abre as portas, nos enche de luz, vento, mas não diz o significado. É um desafio, uma repergunta...

Gosto dos livros nos quais personagens flutuam, maremotos, entre mundos paralelos.
Gosto de rios, nuvens, veículos, estradas, árvores, precipitações climáticas...

domingo, 16 de agosto de 2009

A Estalagem da Razão

A meio caminho entre a fé a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível.

Fernando Pessoa

sábado, 15 de agosto de 2009

filme de terror

Ontem fomos assistir filme de terror.
Passamos antes no boteco, para tomar caipirinhas de frutas. Chegamos bem alegres.

O filme foi ótimo. No final, um tipinho esquisito que estava atrás de nós saiu xingando indignado. Um bolha.

Erramos duas vezes o metrô. Ficamos indo e voltando, (-Chacara Klabin?) falando sem parar sobre fenômenos sobrenaturais e seriados de TV. Sobre nossos filhos, sobre casamento, a vida alheia, questões financeiras e uma infinidade de outros assuntos.
Uma infinidade tão grande que custei a dormir... ainda com o perfuminho dela no nariz.
Peixinhos

O céu é de um azul cru
O muro em frente é de um branco cru
O sol cru me bate na cabeça
A negra no pequeno terraço frita peixinhos no fogareiro feito de uma velha lata de biscoitos
Dois pretinhos chupam um pedaço de cana-de-açúcar

Blaise Cendrars
("fotografia verbal")
-Mamãe, eu não queria acordar. Minha cabeça estava contando uma história tão legal para mim...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

colecionadora de folhas


colecionadora de gatos


colecionadora de homens

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

quatro moças pensando em letras, árvores, e tomando chá.

domingo, 9 de agosto de 2009

manhã clara

(Daqui a pouco vou ver o Gera.)



A engenharia cai sobre as pedras
Um curupira já tem o seu tênis importado
Não conseguimos acompanhar o motor da história
Mas somos batizados pelo batuque
E apreciamos a agricultura celeste
Mas enquanto o mundo explode
Nós dormimos no silêncio do bairro
Fechando os olhos e mordendo os lábios
Sinto vontade de fazer muita coisa....

Chico Science

sábado, 8 de agosto de 2009

tumbérgias

Achava que as tumbérgias não estavam subindo porque não conseguiam. Percebo, agora, que na verdade elas não queriam.
No momento que decidiram subir, começaram rapidamente, encontraram apoio no muro e eu praticamente as enxergo crescer, de tão rápidas que são.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

?

-mamãe, quando eu crescer, vou ser tudo, menos pessoa.

-mamãe, vai estrelar o filme da úmia!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

reuniões

me cutuquei a reunião inteira.
descobri ao me olhar no espelho, chegando em casa.

minha caderneta nova acabou.

nãoimportamentos

eu não iria...

science

-chico, com essa chuvarada meu jardim tá virando mangue... só falta dar caranguejo.

nica

mistura de dálmata, paulistinha, beagle e muito mais.
feita de muitas raças puras!

persegue granizo na madrugada.
até se machucou com uma pedrada gelada.

faz buraco, arranca flor,
late para o carteiro, para o vento, para o varredor.

é uma cachorrinha que você começa não gostando
e termina mais que amando.

oficina - parte 2

circulação de ar, luz, crianças, plantas e animais na oficina em contrução são muito importantes para a ativação de seus chacras. a próxima etapa é quebrar a parede que dá para o jardim. inteira.



-mamãe, o SOL é uma fogueira gigante no céu?



tenho tratado o SOL com muito carinho:
-bom dia, senhor SOL. o senhor está tão brilhante hoje... forte, radiante...
-boa tarde, senhor SOL, deseja alguma coisa? um café bem quente, um beijo ardente, óculos escuros...
-boa noite, senhor SOL. até amanhã! vejo o senhor logo cedo!

domingo, 2 de agosto de 2009

SOL

sábado, 1 de agosto de 2009

oficina - parte 1

começa tudo de novo.
sacos pretos e caixas marrons.
mofo, umidade.
coisas importantes estragadas. lixo conservado.

vai ser muito mais difícil do que pensei.
mas vou fazer.
sozinha.

presente

Gostei demais. "Mariana blues" tem um barulhinho "pop". Lembra sempre um filme.
Faz lembrar os quadros do Flávio também. Um dia vou te mostrar.

Flocos

Quanta solidão deve haver em um sorvete de flocos. Uma imensidão saborosa entre eles.
Não é como o céu, em que existe só o vácuo entre as estrelas.
Entre os flocos do sorvete há o creme e esta esperança de que derretendo possamos nos encontrar.


Mariana

Neste dia de Nossa Senhora, Mariana está fazendo um arranjo de flores, separando algumas velas, e organizando os papéis com orações. Pegou no meio de um livro, um mapa estelar. Ficou conservado como pétalas secas de girassol. Atrás do mapa estava desenhada uma bonita cruz e instruções para que fosse esculpida em sabão.

Então Mariana pegou um sabão não muito caro e uma pequena faca para cortar peixe. Esculpiu segundo o indicado. Tomou um banho demorado e se vestiu para sair. Na rua ouvia-se canções em passos, pedras, pipas e carros. Ladainhas, Mariana sabia dizer.

Mariana acendeu uma vela, mas não pediu nada.


Márcio Yonamine

domingo, 26 de julho de 2009

lançamento

Passamos o dia na livraria hoje, eu e o Tuco, nos afogando em idéias e cores. Foi meu último dia de férias com ele.

Encontramos a Ju, a Luiza e o João. O Tiago também. Na volta, comemos "Alpinos" no carro todo embaçado, com a criançada conversando empolgada.

Comprei o filme que tanto queria. Não devia, mas assim acabo com essa obsessão. Revi bem devagar.

Resolvi postar o convite delas. Para ficar aqui para sempre, ou até o mundo acabar, ou até o google acabar... ou até eu resolver deletar meu blog.

Temos livros autografados com desenhos!

crise

Livro das crises.

Diário de texturas coloridas e anotações idiotas.
Praticamente um cuspe psicodélico.

Minhas amigas elegantes não escreveriam "cuspe". Mas eu escrevo. Fui punk na adolescência. Punk meio bocó... mas punk.

Estou na crise dos 36. Trinta e seis.
É a mesma crise, desde os 7 anos, só vai mudando de nome e textura a cada ano.

Me lembro dela a partir dos 7 anos, por um fato bem marcante, mas é possível que tenha começado no útero de minha mãe, ou em vidas passadas, quem sabe...

Qualquer dia conto o fato marcante.

estranhamentos

não convidou porque não quis ponto

(não vamos tentar consertar, muito menos inventar)

sábado, 25 de julho de 2009

criaturas do jardim

Elas vão te pegar...








domingo, 19 de julho de 2009

Mamãe, desavessa essa calça pra mim?

ogro


sábado, 18 de julho de 2009



psicodrama

Gosto da visita dos amigos.

A penca de tumbérgias foi para ela, que lambe os dedos para puxar a meia, feito uma gata. Em formas e natureza.

Duschamp adorou.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A superioridade do animal sobre o homem está, entre outras coisas, na discrição com que sofre.

Carlos Drummond de Andrade


Os Chicos
Chicão, Chico e Chiquinho.
São gatos siameses idênticos, a não ser pelo tamanho.
Chiquinho já morreu, de uma doença misteriosa. Ficou hospitalizado durante dias.
Quando morreu, os nomes mudaram. Chicão virou Chico e Chico, Chiquinho.
Chiquinho (o atual) tem um tumor na pata que não se apaga. Uma nova cirurgia já não adiantaria mais. Terão que amputá-la amanhã, 8h.
Os veterinários dizem que gatos vivem bem, amputados.
Acredito. Com sofá macio, sardinha fresca e varanda agradável...

momento de férias

Tá tudo muito bom aqui.
Computador molinho, aquecedor, nanquim...
As azaléias brancas florindo feito doidas.
Artur, Anita, Yakult.
Cachorros comendo a parede e latindo pra rede.
Leitura pro Artur, pra mim...
SOL todo dia, aquecendo o jardim,
entrando pela janela,
desbotando a toalha de renda que eu trouxe do nordeste.
Bom.
Ainda bem que parte da trabalheira é desenhar!
Se não fosse trabalho também, não seria desculpa pra parar.





quinta-feira, 9 de julho de 2009

chá de Camomila

O chá da Camomila é o mais amarelinho. A flor de Camomila, dá vontade de comer!
O cheiro é de um mato aconchegante. O efeito é relaxante. Gostaria, nesse momento, de estar enterrada em flor de Camomila, submersa em chá de Camomila, e não aqui, sob essa luz irritante que envelhece a pele... mas estou tomando chá de Camomila.

Tem gente que odeia chá de Camomila, mas é só porque é um chá comum. É gente que quer ser sempre diferente, sempre chique, elegante. Geralmente é quem não era, nunca foi, e quer mudar de vida. Além do mais, como alguém pode odiar um chá?

Tem chás muito elegantes, que não são gostosos como o de Camomila.

Se Camomila fosse cara e rara, ou melhor, rara e cara, seria um chá elegante. Então, eu não teria um potão de Camomila no armário, e sim, uma latinha bem pequena e fina, e quem diz que odeia Camomila iria dizer que ama:

- Oh, sim, claro que aceito chá de Camomila. Eu amo chá de Camomila... hum... que sabor mediterrâneo...

Como alguém pode amar um chá?

poder

se eu pudesse, não fazia nada.
ficava só jardinando, jardinando...
e depois passeava por ali. só olhando, bebendo...

mas na terra fofa e limpa. bem fácil.

talvez eu namorasse, também.

chá

bebi o chá.
com as mãos, o nariz e a boca.

bebi a insônia.
com os olhos, a cabeça e os ombros.
Foi naquele momento de extrema dissociação que virei vapor.
Nunca existi, nada daquilo era existência.

Procurava formas de provar para mim mesma que eu estava lá.

Tomava chá de flores, fazia desenhos difíceis, me sufocava com relações tortuosas, procurava grãos sob a mesa e composições irritantes.

Me lembrava dos seus pés compridos, da lua mais bonita que já vi. Procurava novos botões, esperava por eles durante dias...

Piscava para ver meus cílios, lembrava de um objeto bonito, cutucava um ferimento sob a sobrancelha.


Nada disso adiantava. Mesmo quando o resultado era doce eu me misturava ao vapor do chá.

sábado, 4 de julho de 2009

rio

Parece que o rio vai entrar pelo cano. Porque não fazem uma fonte?

sábado de trabalho duro

Introdução (ao sábado)

Minha avó era uma italiana baixinha que gostava de falar palavrão.

Não acreditava em olho gordo, não tinha superstições.
Nunca acreditou muito nas pessoas. Era racional, econômica, positiva e musculosa.

Suas roupas "de sair" eram feitas pela costureira. Eram muito elegantes.
Tinha sempre um corte de tecido novo para levar na Dona Amélia.

Ela sempre dizia: "Pimenta no cu dos outros é refresco", entre outras frases dessas, que lembro toda hora. Originalmente, é "Pimenta nos olhos...".

Achava que a campanha de vacinação para gripe era um plano do governo para exterminar os aposentados. Nunca tomou, mas também não me lembro dela gripada.

Católica, devota de Nosssa Senhora Aparecida, não frequentava igreja, mas tinha sua santinha sobre a geladeira. Trabalhava sem parar. Na casa, nas costuras, no fogão, no quintal. Fazia roupas para minhas bonecas, sacolinhas para eu carrecar livros, escutava com paciência meus delírios adolescentes, e fazia o melhor bife acebolado do mundo.

Ela adorava sabonetes especiais. A casa toda tinha um cheiro de sabonete misturado com cheiro de comida boa.

Ela e meu avô construíram casa, plantaram fruta, cultivaram flores difíceis, compraram TV colorida para ver o jogo do Corinthians. A maior TV, a primeira colorida. Foram muito felizes enquanto juntos.

Vó.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

jacaré







segunda-feira, 29 de junho de 2009

rio dos sonhos

O rio existe.
Nasceu forçado, de dentro da lama.
Sua pulsação já não era suficientemente óbvia? Sua radiação...
Arrancaram seu cobertor de pedras.

Agora é meu Beberibe, logo atrás da cerca.

O nome do jardim é para lembrar seu tempo de mistério.
Jardim do Rio Subterrâneo.

estada amanhecida

Ela se imove com o andamento da água
(indecisa entre ser tempo ou espaço)
daqueles rios do litoral do nordeste
que os geógrafos chamam "rios fracos".
Lânguidos; que se deixam pelo mangue
a um banco de areia do mar de chegada;
vegetais; de água espaço e sem tempo
(sem o cabo por que o tempo a arrasta).

(...)

Uma mulher e o Beberibe, João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 25 de junho de 2009

nomar

...velório bom pra começar um namoro.
mas vou deixar passar.
a vida é bruta.
quero morar em um lugar escondido dela.
com tapete de folhas ensolaradas,
e pencas de flores cheirosas.

quero ter liberdade para nunca mais sair.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

cat people japonesa


quarta-feira, 17 de junho de 2009

cat people loira chique


terça-feira, 16 de junho de 2009

E eu, que no canto mais ao canto do metrô escrevo e reescrevo impressões, sentimentos, deveres, pensamentos, desenhos... até que tudo vira apenas uma massa de rabiscos, que eu mesma não consigo entender.
Como sempre, preciso desvendar as palavras sobrepostas, frases circuladas, dias sublinhados, desenhos interrompidos.
Rápido, antes que se percam ou sejam abandonados.

sexta-feira, 29 de maio de 2009



quarta-feira, 27 de maio de 2009


quarta-feira, 20 de maio de 2009

árvore mágica

vi a sombra da árvore crescendo pela janela.

para cima, até não enxergar mais nenhum rosto conhecido.
até o gelo paralisar o cérebro. até os olhos quebrarem feito vidro.

as folhas revoltas cresciam de maneira anormal.
árvore mágica.

talvez meu talento seja regar árvores com o olhar, mesmo...
ou beijar nuvens úmidas.

domingo, 10 de maio de 2009

ele


Saí muito feliz do estúdio.
Feliz do meu jeito: pequenos cometas invisíveis me atingiam ao contrário.
Foi a performance.

_Preciso de pequenas pausas de silêncio.
Se vence o tempo, meus ouvidos se enchem de água, o ambiente fica incompreensível, passo a sentir tudo de uma maneira difícil, como se eu não tivesse pele. É por um momento._

Apesar de ela tentar se manter distante do misticismo, durante 80% do tempo estive arrepiada,
mas fiquei com o aplauso final na garganta. Preciso agora de outra oportunidade.

E teve também aquele carro, encerrando a noite! Quase fui atropelada.
Quero um homem igual aquele carro, só que modelo mais antigo, e com pintura mais discreta.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Enquanto o doce apodrecia na cristaleira, fui fazendo coisas cruciais.
Muitas baratas e formigas visitavam o doce, que aos poucos desaparecia,
enquanto eu estudava manchas nas paredes, nos móveis de madeira e no chão.
Desenhava em pensamento, cozinhava arroz, furava os dedos para chupar sangue, arrancava todo tipo de cascas, olhava o nada...

E era isso que todos faziam.

O que vale é pisar sempre dentro do paralelepípedo.

publicação da arquivo

Publicação de Arquivo é um projeto que a artista visual Adalgisa Campos desenvolve desde 2004 abordando apropriação, modificação e publicação de um conjunto de documentos e objetos que pertenceram a seu pai, dos quais tomou conhecimento 20 anos após sua morte.

9/5/2009 13h30 no Estúdio Risco
http://www.risco6.com.br/


quinta-feira, 30 de abril de 2009

mãos feias e desenhistas

Esperando aquela noite,
tão sonhada, tão perfeita...
fui ficando cabeluda,
desenhista e rabujenta.

Mas mesmo um ser
tão reclamão
pode ainda ter salvação,

então espero...

Esperando aquela noite,
tão sonhada, tão perfeita...

vilã

Fora nós dois, só sobrava a densidade mórbida.

A vidente enxergou um pé enorme.
O pé da estátua que eu construí.

Agora eu quero explodir o mundo!!!
...E a estátua.

E quero um milhão de dólares!




Projeção do sapo

Vomitei na camisa dele.

garoto charmosinho

O garoto foi com toda sede ao pote,
acreditando fervorosamente nas bolinhas coloridas.
A vida se decide num lance de dados.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

cão guia

Hoje vi um cão guia no metrô.

Você pode treinar um animal inteligente para cuidar perfeitamente de uma pessoa frágil.
Guiá-la em segurança por dois lances de escadas rolantes cheias de pessoas apressadas e sem educação, escolher lugares mais protegidos no tumulto da plataforma, levá-la através da porta no momento correto, encontrar um banco vago, deitar no chão ao seu lado sem encarar as pessoas e despertar qualquer receio.

Mas você não pode treiná-lo para ser tão amoroso e sensível.

endereço

giro em torno do meu jardim.
o mundo gira em torno do meu jardim.

terça-feira, 21 de abril de 2009

trauma

Insalubridade

EU SÓ QUERIA SAIR DALI!
Os buracos na parede - bocas sem carne, secas - cuspiam palavras feias.

FALTA DE COR.
A representação da brancura das paredes tentava me enforcar.

Preciso contratar alguém para voltar e resgatar aquela tralha toda,
não entro mais lá nem pintada de infelicidade!
Será que no meio daquilo tudo, alguma coisa se salva?

NUNCA FEZ NADA DESSAS COISAS QUE DEIXAM AS PESSOAS FELIZES! Não quis.

Como se fossem de alguma sutileza as pequenas infiltrações... será que pretendem-se metáforas?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=CAoMgT5-tJo&feature=related

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Cosme estava na magnólia. Embora dotada de ramos densos, essa planta era bem acessível para um jovem conhecedor de todas as espécies de árvores como meu irmão; e os galhos resistiam ao peso, apesar de não serem muito grossos e de sua madeira doce descascar ao contato das pontas dos sapatos de Cosme, abrindo brancas feridas no negro da casca; e a planta envolvia o rapaz num perfume fresco de folhas, conforme o vento as tocava, revirando suas páginas num verdejar ora opaco, ora brilhante."

Italo Calvino - O Barão nas Árvores

segunda-feira, 6 de abril de 2009

pensamentos

Anoiteceu. Saio do refeitório quente que cheira à vinagre.
Há poucas estrelas no céu. Enormes besouros com chifres andam ao redor dos meus pés descalços. Sou quase menina, sentada na escadaria da varanda. O frio do chão gela minhas coxas.
O vento do campo florido chega arrastando pétalas para meus olhos.

Conto as corujas no telhado da Igreja enquanto os padres terminam a sopa.

domingo, 5 de abril de 2009

A grande falha

Eu não conseguia recolocar os cds em ordem alfabética.
Não conseguia achar a próxima letra quando a ordem mudava de estante.
Ficava bem mais de um minuto naquele suspense humilhante e cansativo, até que largava eles alí por cima.
Cultivo, ferozmente, um sonho romântico.

Tenho saudade de coisas que nunca aconteceram e pensamentos insistentes sobre lugares que devo ter imaginado ou sonhado.

A casa no bosque, o rio bravo de águas escuras, coberto por cipós.
Insetos enormes na parede caiada, cheiro da cozinha antiga.
A mangueira gigante no quintal de areia, o vestido de cetim arrastando pelo chão...
o cavaleiro.

sábado, 4 de abril de 2009

A menina, feliz com ela mesma, se sentia muito, mas muito bonita.
Erguia a sobrancelha como se perguntasse: já olharam para mim? Já repararam em mim?

O esmalte cintilante horroroso descascava na borda das unhas dos pés. Aquele dedo mindinho quase se separando e formando outra menina me hipnotizava.
Senti um pouco de pena, uma certa repulsa e continuei caminhando pela plataforma, para mais adiante.
Lia o páragrafo sobre a culinária de Batista, enquato o sujeito ao lado tentava roubar uma ou outra frase do meu livro.

(Era engraçado! A lagosta saindo da boca do porco assado e segurando sua língua solta!?)

Voltando ao sujeito... tinha um tipo de nariz independente. Daqueles com uma bolinha na ponta que mexe quando se sente afetada pelo meio ambiente.
Ele rebolava. Enquanto subia a escada rolante a bolinha do nariz ia mexendo sem parar.


Geralmente quando me vejo em um espelho por acaso, tenho três, quatro caras persistentes: nojo, preocupação, cara de bocó ou cara de rinite alérgica.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

isabela

de repente a isabela nasceu.
ontem. 19h05.
é metade o pai, metade a mãe.

terça-feira, 31 de março de 2009

SBP

Acordei com sinos.
Ainda meio manca, fui até a cozinha, de onde vinha o barulho.

Sobre a janela vi aquela barata gigante.
Meu coração diparou enquanto a nojenta abria um enorme sorriso: um túnel dentro de um túnel dentro de outro túnel. E um bafo podre de túmulo.

Ela jogava minhas moedas de ouro para dentro da pia.
Cada moeda com uma patinha.
Tinha que matá-la, mesmo que isto me matasse.

semcompasso

let's no!!!

fala

Gosto de fala baixa e grave.
Que entra devagar pelo ouvido e faz acender o olhos, depois o nariz, finalmente a boca...
Qualquer coisa maior ou menor me irrita.

isabela e sofie

Ontem sonhei com a Isabela.
Um raio de Sol descia do Céu sobre a sua cabeça redonda e brilhante.
Usava um vestidinho branco, desses de batizado.
Refletia o brilho de Deus.

Ela chega na próxima semana.

Sofie também.

domingo, 29 de março de 2009

tudo e nada

as vezes o mundo fica paralisado ao meu redor, sem mistério, um saco.
eu falo rápido, tento reler em câmera lenta, aprovo o ritmo, explodo.
sem sinal.

admiro a paisagem, então. a paisagem final dos créditos. aberta pelo gran torino.

sinais e murmúrios que se acham escondidos. pretenciosos.

fui ao cinema e adorei o clint. de novo! como sempre. sem mistério mas perfeito, especial.

mas eu sim.

sexta-feira, 27 de março de 2009

?

eu gostaria
de não ter
dislexia

fantasma

Segui aquelas pegadas estranhas no jardim.
Elas terminavam na grade.
Atravessei a grade com uma leveza fantasmagórica.
Não haviam mais pegadas ali. Havia apenas um prédio e uma torneira.
O que eu faria com eles?

Um homem imaginário olhava em minha direção.
Era um olhar imaginário.

Um jardim imaginário.

cabeça2